14 Janeiro, 2012

Sex & drugs & rock & roll

Guio-te pela mão como se soubesse o que faço, mas não sei. No fundo não lhe posso chamar guiar pois nenhum de nós sabe o caminho. É estranha esta sensação de passear pelo desconhecido de mãos dadas com alguém; nunca me tinha acontecido e eu odeio passear pelo desconhecido. Gosto de saber tudo antemão, e agora… agora ando às apalpadelas. Lentamente vou perdendo o medo de cair e de ferir os joelhos nas pedras. Embora esse receio continue presente (lamento, mas nunca desaparecerá. Tenho demasiadas cicatrizes das quedas anteriores… infelizmente sou uma desastrada), estou a aprender que te tenho para me apanhar ou então caímos os dois ao mesmo tempo e aí… bem, continuaremos perdidos.
Se isto é um fogo que arde sem se ver, então bem pode continuar a arder. É peculiar o quão viciante é uma queimadura de um fogo invisível. Dizem que é uma droga, um pecado (todos nós sabemos que os pecados sabem bem por serem proibidos) que te engana por levar ao céu e que depois te arrasta ao inferno; admito que estou a começar a sentir-me dependente deste novo vício, mas enquanto continuar a ver o céu apenas digo “Mais um bocadinho, já! Por favor.”
Nada é perfeito. Se assim fosse não teríamos a tentação de limar as falhas em tudo o que nos aparece á frente. Eu não sou perfeita, tu também não; juntos somos uma imperfeição perfeita. Concordas?

18 Dezembro, 2011

Perdoas?

Perdoa-me não te ter enviado as cartas. As folhas de papel amachucado acumulam-se na minha secretária pois as palavras escritas recusam-se a colaborar com as que precisam de sair da minha boca. Os meus ouvidos imploram pela tua voz; pena que eu odeie falar ao telefone. Quero ver o sol refletido nos teus cabelos embora as webcams não me satisfaçam o sentido visual (a internet também não ajuda, não é verdade? É uma mentirosa, não aproxima mais as pessoas.).
Perdoa-me o medo que tenho de cada vez que penso que não me vais responder. Ainda não sei o que te devo dizer, não sei se devo impor um limite de palavras, não sei se devo pegar num dicionário e escolhê-las a dedo para ter a certeza que são as palavras certas.
Não me esqueci de ti, mas tenho medo que não te queiras lembrar de mim...

09 Outubro, 2011

Leave(s)

Os indícios que denunciam a estação do ano são claros; voam e com eles voa o que talvez tenha sentido por ti, por outros. O que me foste não passou, pelos vistos, de uma borboleta(zinha) no estômago. (Quis crescer mas tu não quiseste crescer comigo.)

A quase obsessão pela tua presença e pelo teu conforto á muito que passou. A sede continua mas já não penso em ti como no copo de água a que te assemelhaste. Sabes, não gosto quando controlam as palavras…

Segui em frente, não me foi dada outra escolha mais acertada. Foste uma bolha de sabão que rebentou, e não nego que me soube mal. It’s time to go back to reality; “Reality Checkpoint!” they say – story of my life, for I dream (and, apparently, ask for) too much.

24 Setembro, 2011

What am I to say?

Sei que irias gostar disto aqui; por onde quer que passe vejo a tua cor favorita. Até a persiana é verde.
Mas a tua recusa em lembrares-te que eu existo custa-te menos, enquanto que tu te recusas a sair do instrumento vermelho que nunca está quieto.
Odeio... isto. Odeio o que faço a mim mesma. Quero odiar-te para esquecer a saudade, mas enquanto tiver verde dentro da minha cabeça...
Este verde é demasiado brilhante, espero que as folhas das árvores o cubram e depressa!


24/09/2011, in Cambridge.

08 Setembro, 2011

"We were alone and I was singing this song for you"

Nothing mattered most to me than that moment. I felt it, pounding so hard against my ribs… I had to run away, if only for a minute. I thought that, since it was sort of a cliché, it wouldn’t matter; but it mattered and were I made of ice, in that moment, I’d be a puddle of water by your feet.

Those words were beautiful, even though almost all of them weren’t yours. I knew them and I have given them my own interpretation, so when I heard them… I… I repeated them with you, despite all the pounding in my chest. I don’t know if that’s want you wanted, but… were you feeling it too? (since it was only me and you.)

I dreamt of you holding me hours before you held me; eerie, right? I dreamt of you and your soft lips; it was a dream but hours later you were finally kissing me. Now I’m scared… I must wash away the trails of your kisses (promise to make new ones?) and I don’t want to. While you were there I forgot the real world; will the real world make me forget you?

More than scared, I’m terrified. My hands are shaking, just make it stop.

04 Setembro, 2011

"Its everyone of us who holds power over the world we create."

It was your party. I don’t remember much… Was I cold? I don’t… I can’t remember.

I know you held me and it felt sinfully good. Did you say “Everything will work out.”? I think you did.

I’m scared now. Why were you in my dream? Why did you feel like my safety net? That wasn’t supposed to happen. I don’t usually remember my dreams but this one I did remember… I remember being held by you, I remember the feeling; and then you were gone and I was in my room.

I don’t know what to do know. I don’t know what to think. I’m scared… (Crap, that’s when the “will you hold me [again]?” pops in my head…)


"And if I had the answers I'd have written them out
So I could tell you what to do and what this thing is about
But all I've ever learned comes second-hand
And I dare not preach what I don't understand"

22 Agosto, 2011

Broken Rules

Não sei.
Os pensamentos na minha cabeça fervilham; frases grandes, médias e pequenas surgem e desaparecem no fumo de uma nova linha de pensamento. Queimam, pois sinto-os nas minhas eternamente irrequietas emoções. Mas o que sinto? Não seria doce se o soubesse? (Será que quero saber? Não me queixo do amargo sabor do desconhecido, que por vezes é melhor.)
Não sei.
Toca uma suave música de fundo em que alguém canta os sonhos que nem às paredes confesso. A pressão no meu peito aumenta com o fervilhar mais intenso dos pensamentos. Possibilidades (paranóicas, inocentes, pecaminosas) passam a correr. Desejo agarrar na ousadia, fazê-la minha e...
Não sei.
O que sei é que quero mil e uma coisas, mil e um dias, (porque não?) mil e uma noites. Quero usar as palavras certas, organizadas de forma certa, na ocasião certa, com os gestos certos. Não exijo a presença da perfeição (não, apenas procuro o resultado desejado).
Não sei.
Não posso perguntar porquê, pode ser a pergunta errada. Não posso agir, pode ser a acção errada. Não posso cair, pode ser um erro
. E eu detesto errar.

26 Julho, 2011

Inkless Pen

Era o inicio do ano lectivo. Sacos de compras encontravam-se espalhados no meu quarto, cheios de material escolar. O estojo era o mesmo de sempre e foi lá que guardei as minhas novas canetas; tinha-as ás cores e feitios.

No primeiro dia de aulas a minha mão tirou do estojo uma caneta simples, azul, para riscar na margem do meu caderno de História. Se não soubesse melhor diria que a caneta inspirou-me, pois comecei a escrever pequenas histórias de amizade e aventura; parecia a caneta ideal, adequada á minha mão e á minha maneira de escrever, tinha a cor perfeita – o azul nem era muito escuro nem era muito claro. Passado um instante tinha se tornado na minha caneta favorita.

Passei a andar com ela para todo o lado, porque ela inspirava-me a escrevinhar pequenos contos, a desenhar sorrisos. Eventualmente comecei a usá-la para escrever coisas mais sérias (afinal, é o que uma caneta faz, certo?). Nesses momentos ela falhava-me, como se não gostasse dessa sua função.

Lentamente deixou de me inspirar. Já não me guiava a mão e deixei de escrever. A tinta tocava menos vezes no papel, era como se a minha mão não lhe fosse suficiente. Um dia uma colega, uma pessoa que nunca me inspirou confiança desde o momento em que lhe pus a vista em cima, pediu-me uma caneta emprestada e eu emprestei-a. Emprestei essa caneta que antes me parecia inspirar sem me lembrar que não era suposto ela escrever. Uma caneta não escreve se não tiver tinta, e não era recarregável.

Essa colega escreveu um livro de aventuras, um verdadeiro sucesso mundial, com a minha caneta…